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O Quebra-cabeça da sexualidade

O Quebra-cabeça da sexualidade

José Antonio Marina


Um autor, para quem ousa pensar. Um livro, para quem não tem medo de entender. Muito mais do que sexo, para quem se arrisca a ser humano. 


Filosofia | ISBN: 978-85-99537-10-7

Formato: 15,8 X 23 cm | 308 páginas | 1ª Edição | R$ 38,00

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A evolução histórica da sexualidade, amor e casamento, família e filhos, tabus e organização social, os limites entre a determinação biológica e o que a razão almeja, tudo isso se encontra nesse primeiro livro de um dos mais importantes filósofos contemporâneos lançado no Brasil. Respaldado por uma pesquisa rigorosa e surpreendentemente vasta, o autor trafega com desenvoltura e um estilo claro e bem-humorado entre moralistas medievais e revistas femininas contemporâneas, estudos antropológicos e historiográficos, para mapear a fragmentação do comportamento sexual contemporânea em busca de uma ética que nos leve a uma sexualidade mais feliz.

Prestigiadíssimo em seu país, José Antonio Marina é um filósofo na praça. Com mais de 20 livros publicados, vários deles superando 200 mil exemplares vendidos, e uma coluna semanal nos jornais El mundo e ABC Cultural, destaca-se pela originalidade de suas idéias, a profundidade de suas pesquisas e a extraordinária qualidade de um estilo capaz de atrair legiões de leitores, formadas tanto por acadêmicos como por leitores não-especializados. No centro de seu pensamento está a busca por uma ética leiga e universal, baseada na inteligência, mas que comporte o entendimento da espiritualidade como uma das vertentes humanas, respeitando as opções religiosas.

     


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Sumário

      Prefácio dos editores----------------------------------------

I.    A sexualidade desvinculada --------
II.    O que é a sexualidade? --------
III.    Os paraísos da sexualidade --------
IV.    A religião, matriz originária --------
V.    Os falsos problemas da sexualidade  --------
VI.    Os verdadeiros problemas da sexualidade: a procriação --------
VII.    Os verdadeiros problemas da sexualidade: o desejo --------
VIII.    Os verdadeiros problemas da sexualidade: as expectativas --------
IX.    Sexo e poder --------
X.    Ética dos atos e ética das formas de vida --------
XI.    É possível uma sexualidade feliz? --------
XII.    Manifesto para uma segunda liberação sexual --------

Caderno de Campo Bibliográfico --------------------------------

Micromonografias

A sexualidade dos primatas -------- Nota xxx
Os decepcionados da primeira revolução sexual -------- Nota xxx
A construção social da realidade -------- Nota xxx
A ampliação funcional dos descendentes -------- Nota xxx
Situação da homossexualidade -------- Nota xxx
A educação sexual -------- Nota xxx
Os fundamentalismos, as mulheres e a família -------- Nota xxx
A sexualidade, mundo simbólico -------- Nota xxx
Eibl-Eibesfeldt e a origem maternal do amor sexual -------- Nota xxx
A transgressão -------- Nota xxx
O sexo como revolução -------- Nota xxx
O feminismo entre a ética universal e a moral da diferença -------- Nota xxx
A moral e os conflitos -------- Nota xxx
O incesto -------- Nota xxx
A homossexualidade na teologia cristã -------- Nota xxx
A história do onanismo -------- Nota xxx
Os filhos do divórcio -------- Nota xxx
O pai ausente -------- Nota xxx
A contrução do desejo -------- Nota xxx
A mulher, perigo moral -------- Nota xxx
A nova teologia católica -------- Nota xxx
A lei natural -------- Nota xxx







                            
Um manifesto a favor de uma segunda liberação sexual
“Nós, toda a sociedade, acabamos
tornando-nos parcialmente
responsáveis – pelo menos do ponto de
vista econômico – pelo que se faz na
cama” – José Antonio Marina
As mudanças no comportamento sexual vêm determinando
as mudanças na família - célula básica da sociedade. O que
se faz entre quatro paredes acaba refletindo na vida de
todos nós.
“As normas morais tornavam as condutas previsíveis e
simplificavam as decisões a serem tomadas. Com a
ausência delas, as relações sexuais/amorosas têm que ser
reinventadas individualmente, o que, em teoria, é
magnífico e, na prática, bem complicado. Cada vez ouvese
mais forte uma voz coletiva que se pergunta: ‘Por
que a convivência é tão difícil?’”, indaga o filósofo,
escritor e professor José Antonio Marina, um dos principais
intelectuais espanhóis da atualidade. Este mês, Marina será
apresentado aos leitores brasileiros com a primeira edição,
no país, de um dos seus mais importantes e
surpreendentes livros: O Quebra-cabeça da Sexualidade
(Editora Guarda-chuva).
Detentor de vários prêmios, com mais de 25 títulos
lançados que, juntos, já ultrapassaram a marca de 1 milhão
de exemplares vendidos na Europa, Marina propõe uma
segunda revolução sexual através da construção de
uma nova ética das relações. Segundo ele, é preciso
lembrar que o âmbito da sexualidade vai muito além do
sexo. “É todo um sistema de relações, afetos, instituições,
expectativas e fracassos”, é a vida a dois, a vida em família
que, para o autor, provocam muita felicidade, mas também
muita dor e violência. É só passarmos os olhos nos
jornais para constatar sua tese.
“Eu gostaria de saber se é necessária e possível uma ética,
não do controle, mas da liberação sexual. Não se trata,
pois, se pesquisar se o regresso é possível, mas, ao
contrário, se o progresso é possível. Acredito que a ética
é a inteligência aplicada para resolver os problemas
que afetam a felicidade privada e pública”, defende
Marina.
Antes de propor soluções para temas tão complexos, o
autor desfaz “o tapete, para seguir cada fio até a sua
origem, aprender muito com a História, com as culturas,
com a psicologia, com as experiências privadas e
públicas”. Para isso, recorre a uma extensa e diversificada
documentação: livros científicos, revistas de fofoca,
monografias antropológicas, manuais de auto-ajuda, livros
de Biologia e até obras literárias.
PERFIL DO AUTOR
Considerado uma das quinhentas personalidades mais influentes da
Espanha e um dos mais importantes pensadores da atualidade, José
Antonio Marina nasceu em Toledo, em 1939, e vive em Madri. Professor
de Teoria da Educação no Instituto de Ciencias de la Educación da
Universidad Autónoma de Madrid, foi, por muitos anos, professor de filosofia
do ensino secundário, enquanto, paralelamente, realizava estudos sobre
fenomenologia, psicologia genética, neurologia e lingüística. Em 1992,
publicou o primeiro de seus mais de vinte e cinco livros e, desde então,
tornou-se o intelectual espanhol contemporâneo mais lido e admirado. Em
2002, assumiu a condição de pesquisador independente. Doutor honoris
causa pela Universidad Politécnica de Valencia, detentor vários dos
principais prêmios culturais de seu país – entre eles, Premio Anagrama de
Ensayo e Premio Nacional de Ensayo –, é colaborador do jornal El Mundo e
presença constante em debates públicos e conferências. Este é seu primeiro
livro lançado no Brasil. A Editora Guarda-chuva publicará, em breve, Ética
para náufragos e Inteligência criadora.





ENTREVISTA - JOSÉ ANTONIO MARINA


Este professor secundarista que se nega a converter-se em professor universitário faz o mesmo com a filosofia, fixa-se no imediato, no cotidiano. Quer que todos o entendamos e se esforça em fazer com que seus ensaios sobre a dignidade, a vontade, os sentimentos, Deus ou a sexualidade sejam material de reflexões úteis para alcançarmos um dos grandes mistérios humanos: a felicidade. Em todos eles, uma vontade: “acredito que todos estamos embarcados em um grande projeto ético: conseguir dignificar a raça humana”. Defende que o sexo desvinculado do amor e do compromisso é uma limitação que nos leva à infelicidade e propõe a segunda liberação sexual: “É preciso liberar a sexualidade da desconfiança, dos vôos curtos e do ceticismo sobre a natureza humana. Temos aplaudido tanto a individualidade e a auto-suficiência que perdemos o talento para nos relacionar afetivamente com outra pessoa”.



O senhor acredita que o sexo esteja superestimado?
JAM: Sim, o sexo puro está falso e hipertrofiado. Mas o mais importante é tudo o que está ao seu redor. Uma convivência afetiva baseada na sexualidade é muito mais importante que o sexo em si mesmo. Creio que as pessoas que estão obcecadas pelo sexo sofrem uma espécie de descompensação. Provavelmente estão interessadas por coisas que não têm muito a ver com sexo. No afã de conquistar outra pessoa pode haver o afã do domínio, da vaidade, da busca por segurança ou mesmo a necessidade de vingar-se do outro sexo.


Os meios de comunicação reforçam essa concepção atlética do sexo?
JAM: Se nos fixarmos nas mensagens dos anúncios, do cinema, das revistas, temos a impressão de que estamos em uma sociedade resolvida, mas elas não correspondem à realidade. As pesquisas realizadas com jovens nos dizem que eles valorizam muito a fidelidade. A felicidade está associada à relação afetiva com sexo, mas uma coisa é o prazer, e outra, a felicidade. O prazer tem características muito limitadas, é um processo de subida e descida. Nos intervalos em que desaparece o desejo, aparece a insatisfação.


Então...
JAM: Os sentimentos que têm a ver com a alegria são muito mais estáveis e estimulantes. O prazer deve acompanhar a alegria, mas a alegria sempre vem de outras direções. Os sentimentos de plenitude são mais constantes e têm os prazeres sexuais como um ingrediente, mas eles não são a culminação de toda satisfação vital possível.


Isso todo mundo sabe, mas ninguém reconhece.
JAM: As últimas pesquisas revelam que 98% dos espanhóis crêem que a felicidade se dá nas relações afetivas dos casais. Mas esse sentimento co-existe com uma espécie de ceticismo de que se pode alcançar essa felicidade, o que acaba numa situação claudicante por antecipação. “Sei que isso é bom, mas como sei que não vou conseguir, não me arrisco e, como não me arrisco, conformo-me”. Ou seja, estamos nos contentando com uma sexualidade pobre, como consolo para perdedores. É um grande equívoco que faz com que as pessoas vivam a sexualidade e os afetos como uma espécie de esquizofrenia.


O que o senhor propõe?
JAM: Primeiro: não considerar que a comodidade seja o fundamento da relação, porque isso acaba impondo o egoísmo de um sobre o outro. Casar-se para que o outro lhe traga uma vida mais cômoda é um dos grandes obstáculos dos casais. E é tipicamente masculino. É preciso compreender que a relação amorosa não é o terreno da espontaneidade. “Se faço uma coisa por dever, não a estou fazendo por amor” – isso é literalmente falso. Se eu quero uma pessoa, quero que esteja feliz, o que significa que tenho alguns deveres, determinadas coisas que, num dado momento, podem me exigir esforço e que não são hipócritas por isso. Kant acertou em sua definição de amor: “Fazer meus os fins do ser amado”. O amor consiste em uma valorização profunda e carinhosa da intimidade da outra pessoa; mas temo que, por falta de cuidado, estejamos perdendo a capacidade de amar.


Não é uma idealização das relações de casal?
JAM: É claro que há uma idealização, mas ou o homem vive com projetos ou vive com o determinismo do ambiente e, se é assim, a única coisa que faz é deixar-se ir. Mas, se vive com projetos, tenta imaginar formas de vida nobres, satisfatórias, brilhantes. O projeto “casal” foi bastante comum dos anos 70 até hoje, e era, sobretudo, um projeto feminino.


E o que nos diz a realidade desse projeto?
JAM: O resultado é frustrante. Em Paris, 40% das pessoas vivem sozinhas. Na Dinamarca e na Suécia, 50% das crianças nascem de mulheres voluntariamente sozinhas. Nos Estados Unidos, as pesquisas dizem que 60% a 64% dos casais se divorciam. O que está acontecendo? Creio que estamos educando um tipo de personalidade contraditória, que por um lado insiste na necessidade de comunicação afetiva com outra pessoa e, ao mesmo tempo, insiste (e há uma má influência de muitos psicólogos) apenas na realização pessoal como garantia. Vivemos relações sociais de muita produção e pouca fertilidade.


A maternidade e a paternidade já não precisam da sexualidade?
JAM: Isso me parece uma realidade perigosa. A capacidade de transformar estruturas biológicas em estruturas eticamente superiores tem influenciado decisivamente o instinto maternal, o desejo de cuidar de outra pessoa e, se isso desaparece, a vida fica muito endurecida. Entraríamos em uma espécie de cálculo de interesses e perderíamos essa ilógica atitude de cuidar desinteressadamente do outro que, sem dúvida, nos enobrece tanto.


E como é o lado luminoso do sexo?
JAM: Creio que a relação afetiva baseada na sexualidade é a plenitude do ser humano. Uma das grandes invenções da inteligência humana foi unir o impulso sexual, que é genético, à amizade. Creio que todos estamos embarcados num grande projeto ético: conseguir dignificar a raça humana.








Fonte: La Vanguardia