
Um manifesto a favor de uma segunda liberação sexual
“Nós, toda a sociedade, acabamos
tornando-nos parcialmente
responsáveis – pelo menos do ponto de
vista econômico – pelo que se faz na
cama” – José Antonio Marina
As mudanças no comportamento sexual vêm determinando
as mudanças na família - célula básica da sociedade. O que
se faz entre quatro paredes acaba refletindo na vida de
todos nós.
“As normas morais tornavam as condutas previsíveis e
simplificavam as decisões a serem tomadas. Com a
ausência delas, as relações sexuais/amorosas têm que ser
reinventadas individualmente, o que, em teoria, é
magnífico e, na prática, bem complicado. Cada vez ouvese
mais forte uma voz coletiva que se pergunta: ‘Por
que a convivência é tão difícil?’”, indaga o filósofo,
escritor e professor José Antonio Marina, um dos principais
intelectuais espanhóis da atualidade. Este mês, Marina será
apresentado aos leitores brasileiros com a primeira edição,
no país, de um dos seus mais importantes e
surpreendentes livros: O Quebra-cabeça da Sexualidade
(Editora Guarda-chuva).
Detentor de vários prêmios, com mais de 25 títulos
lançados que, juntos, já ultrapassaram a marca de 1 milhão
de exemplares vendidos na Europa, Marina propõe uma
segunda revolução sexual através da construção de
uma nova ética das relações. Segundo ele, é preciso
lembrar que o âmbito da sexualidade vai muito além do
sexo. “É todo um sistema de relações, afetos, instituições,
expectativas e fracassos”, é a vida a dois, a vida em família
que, para o autor, provocam muita felicidade, mas também
muita dor e violência. É só passarmos os olhos nos
jornais para constatar sua tese.
“Eu gostaria de saber se é necessária e possível uma ética,
não do controle, mas da liberação sexual. Não se trata,
pois, se pesquisar se o regresso é possível, mas, ao
contrário, se o progresso é possível. Acredito que a ética
é a inteligência aplicada para resolver os problemas
que afetam a felicidade privada e pública”, defende
Marina.
Antes de propor soluções para temas tão complexos, o
autor desfaz “o tapete, para seguir cada fio até a sua
origem, aprender muito com a História, com as culturas,
com a psicologia, com as experiências privadas e
públicas”. Para isso, recorre a uma extensa e diversificada
documentação: livros científicos, revistas de fofoca,
monografias antropológicas, manuais de auto-ajuda, livros
de Biologia e até obras literárias.
PERFIL DO AUTOR
Considerado uma das quinhentas personalidades mais influentes da
Espanha e um dos mais importantes pensadores da atualidade, José
Antonio Marina nasceu em Toledo, em 1939, e vive em Madri. Professor
de Teoria da Educação no Instituto de Ciencias de la Educación da
Universidad Autónoma de Madrid, foi, por muitos anos, professor de filosofia
do ensino secundário, enquanto, paralelamente, realizava estudos sobre
fenomenologia, psicologia genética, neurologia e lingüística. Em 1992,
publicou o primeiro de seus mais de vinte e cinco livros e, desde então,
tornou-se o intelectual espanhol contemporâneo mais lido e admirado. Em
2002, assumiu a condição de pesquisador independente. Doutor honoris
causa pela Universidad Politécnica de Valencia, detentor vários dos
principais prêmios culturais de seu país – entre eles, Premio Anagrama de
Ensayo e Premio Nacional de Ensayo –, é colaborador do jornal El Mundo e
presença constante em debates públicos e conferências. Este é seu primeiro
livro lançado no Brasil. A Editora Guarda-chuva publicará, em breve, Ética
para náufragos e Inteligência criadora.