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Mães

Mães

o que elas têm a dizer sobre educação

Márcio Vassallo


“Leitura reconfortante para quem se preocupa com o futuro e busca ser uma mãe – e por que não um pai também – melhor. Gostei muito” Rosely Sayão, na Folha de São Paulo


Entrevistas e reflexão | ISBN: 978-85-99537-07-7

Formato: 18 X 23 cm | 316 páginas | 1ª Edição | R$ 38,00

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Em Mães – o que elas têm a dizer sobre educação, mulheres de diferentes idades, níveis de instrução, estados civis e classes sociais revelam ao jornalista e escritor Márcio Vassallo o que aprenderam com a maternidade. Mais do que uma homenagem às mães, o livro é o reconhecimento do papel que elas exercem como formadoras de pessoas e, nesse sentido, orientadoras do futuro da própria humanidade. Com rara sensibilidade e profundo respeito pela inteligência de suas 18 entrevistadas, Vassallo leva o leitor a mergulhar nas vivências dessas mulheres, para, de conversa em conversa, trazer à tona idéias que ajudem a refletir sobre a educação de crianças e jovens. O resultado é um livro tão agradável quanto uma boa conversa à mesa, que, sem dispensar a delicadeza e a emoção, aborda desafios fundamentais para quem se preocupa com a formação das novas gerações.

O autor: Há 10 anos, Márcio Vassallo faz palestras e oficinas para pais, estudantes e professores em todas as regiões do Brasil. é autor da primeira biografia de Mario Quintana e das obras infantis A princesa Tiana e o sapo Gazé, O príncipe sem sonhos, A fada afilhada (selecionados para o catálogo brasileiro da Feira do Livro de Bolonha) e O menino da chuva no cabelo, inserida no catálogo The White Ravens 2006, organizado pela Biblioteca Internacional da Juventude de Munique, na Alemanha.

O autor: Jornalista e escritor, Márcio Vassallo é autor da biografia Mario Quintana e das obras infantis A princesa Tiana e o sapo Gazé, O príncipe sem sonhos, A fada afilhada e O menino da chuva no cabelo. Tem viajado pelo país palestrando e ministrando oficinas para pais, estudantes e professores.




     


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Como nasceu este livro ................................................................ ix
Helena Carvalho Borja .................................................................. 1
Betty Carakushansky Wainstock ................................................ 17
Livia Baião ..................................................................................... 37
Maria Helena da Conceição ........................................................ 51
Regina Fontes ................................................................................ 63
Andréa Cristina dos Santos ........................................................ 77
Luiza Carolina Amoêdo .............................................................. 93
Cecília Baptista Gomes ............................................................. 109
Elaine Heylmann Capeletti ....................................................... 121
Andréa Leal ................................................................................. 133
Cícera Pereira Viana ................................................................... 159
Vitoria Davies ............................................................................. 171
Maria do Socorro Vicente dos Santos .................................... 191
Maisa Mader ................................................................................ 217
Malu Mader ................................................................................. 239
Kátia Suely Barata ...................................................................... 253
Adriana Falcão ............................................................................ 267
Gabriela Hilgert .......................................................................... 289










As maiores autoridades em gente
“Conversar sobre crianças e educação é uma das coisas que mais me seduzem na vida”, diz Márcio Vassallo, logo nas primeiras linhas de “Mães”. Premiado escritor de livros infantis, autor da biografia de Mario Quintana e organizador de duas coletâneas pela Editora Guarda-chuva, Vassallo se debruça, agora, sobre o universo encantador da maternidade. E dá voz a 18 mulheres que tiveram, no livro, um espaço até então inédito no que se refere à reflexão sobre o exercício de ser mãe, sobre a arte de formar pessoas.

Você é autor de livros de literatura infantil e dá palestras para pais e professores em todo o país. Ou seja, a educação perpassa seu trabalho o tempo inteiro, mas você não é um especialista no assunto. Neste livro, você se propõe a dar voz às mães, na maioria das vezes, desde sempre, as principais responsáveis pelo cuidado das crianças, mas preteridas nas reflexões sobre educação em prol da palavra do especialista com diploma. O que o leitor pode esperar de um livro que foge dos padrões, como este?

MV: Olha, eu realmente tenho conversado muito, há mais de dez anos, com professores, mães e pais em todas as regiões do Brasil. E por onde passo, o que eu constato é que a maternidade costuma estar associada à dedicação, ao acolhimento, ao amor, à coragem, aos mais diferentes sentimentos e valores, mas quase nunca ao pensamento e à reflexão. E eu acho que nem tudo o que nos surpreende é encantador, mas tudo o que é encantador, de alguma forma, nos surpreende. Por isso, suspeito que muita gente vai ficar encantada com as idéias, os pensamentos e as reflexões destas 18 mães que entrevistei. Ah, e elas não têm receitas mágicas para educar os filhos, não. A verdadeira mágica mora é no modo como cada uma delas lida com as suas próprias imperfeições, com os seus sentimentos, as suas escolhas e as suas emoções diante desse desafio desmedido de criar filhos. Outra coisa, não procurei por mães que tivessem histórias extraordinárias e inspiradoras, apesar de ter encontrado cada história mais bonita do que a outra. Na realidade, procurei por mulheres inteligentes e sensíveis que tivessem disponibilidade e talento para pensar sobre o que a maternidade mais lhes ensinou sobre educação. No fundo, não sei o que o leitor pode esperar. Cada leitor tem esperas tão diferentes no coração. Só posso dizer que, mesmo antes de ser lançado, este livro já me fez olhar para o dia-a-dia, para as pessoas, e para mim mesmo muito mais do eu esperava.

O que você acha que pode ter provocado essa vulnerabilidade das mães, com relação às decisões sobre a criação dos seus filhos?

M.V: Acho que as mães sempre foram vulneráveis com relação às decisões sobre a criação dos seus filhos. O fato é que, em determinado momento, elas saíram para trabalhar, para conquistar coisas, para construir uma nova identidade. Tudo isso realmente foi um bocado importante e esse era um caminho inevitável, claro. Mas a verdade é que, mais afastadas dos filhos, em geral, elas começaram a se sentir (e serem) desqualificadas em relação ao que é o melhor para as suas crianças e os seus adolescentes. Então, quase todas as discussões sérias sobre educação de filhos passaram a deixar de lado as mães, que na realidade são as grandes autoridades no assunto, e precisam ser cada vez mais ouvidas com a atenção necessária para um tema tão essencial. é claro que existem bons especialistas na área de educação e esses especialistas também precisam ser ouvidos. Só temos que lembrar que, por mais competentes e humanos que sejam, esses profissionais conhecem muito bem os assuntos e as matérias da sua especificidade, mas não necessariamente conhecem com profundidade os filhos das outras pessoas, não como os pais podem conhecer.

As mães entrevistadas no livro moram ou trabalham, em sua maioria, na Zona Sul do Rio de Janeiro, com exceção da prefeita de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul. E duas mães são personalidades conhecidas do grande público - Malu Mader e Adriana Falcão. Como foi feita essa escolha?

M.V: Como digo no começo do livro, acho que são as pessoas que fazem uma casa e, antes de tudo, o que nós levamos de casa é que faz um país. Por isso, não fiz pesquisas prévias nem busquei um equilíbrio estatístico. Na realidade, procurei por uma certa variedade de temperamentos, personalidades, circunstâncias de vida e fases da maternidade, para reunir diferentes olhares. E não queria, de jeito nenhum, fazer um livro para mostrar a vida e o pensamento de celebridades. A Malu e a Adriana entraram no livro porque achei que poderiam me dar lindas entrevistas e pensar com sensibilidade sobre o assunto. Achei que seriam belas personagens. Acertei e fiquei muito feliz com esse acerto. Não entrevistei a Malu, por exemplo, para saber o que uma atriz famosa pensa sobre a educação de filhos, ou para perguntar sobre a dificuldade de conciliar a vida profissional com a pessoal. Conversei com ela para conhecer o que uma mãe, que por acaso é atriz, tem a dizer sobre o tema, a partir da sua própria experiência.

O livro não é apenas uma seqüência de depoimentos, um após o outro. Você faz com o que o leitor acompanhe o processo das entrevistas desde o momento em que você se encontra com as mães até quando se despede delas. Qual foi a intenção, quando você decidiu amarrar o livro dessa forma? Em torno do quê giram as suas reflexões?

M.V: Bem, numa entrevista, não gosto de usar as pessoas para achar respostas. Prefiro usar as perguntas para achar as pessoas. Para mim, chegar às pessoas sempre foi mais tentador do que preencher uma pauta. Foi assim que eu acabei chegando às minhas próprias indagações sobre as entrevistadas, sobre o tema, sobre a minha expectativa antes de cada encontro e também sobre o que ficou de essencial em mim, depois de cada entrevista. Por isso, o livro traz os meus achamentos e o que ficou realmente em mim, no meu olhar de homem e no modo de me relacionar com o meu filho, antes de depois das minhas conversas com essas personagens tão sensíveis e tão criativas. Acho realmente que as entrevistas e as experiências destas mães que aceitaram conversar comigo podem, de verdade, fazer com que nos reaproximemos, para nos ouvirmos mais, não só para reclamar dos nossos problemas domésticos, sem vislumbramos soluções para nada, mas para pensarmos em caminhos, formas e possibilidades, para aprendermos a tomar cada vez mais as nossas próprias decisões, no que diz respeito aos nossos filhos, e também, principalmente, no que diz respeito a nós mesmos e ao que consideramos essencial para sermos felizes.

Hoje em dia, as pessoas avaliam e decidem se terão filhos ou não, pesam bastante na balança a questão da liberdade, do dinheiro, do compromisso de vida inteira com a formação de uma pessoa. Como o livro é realista e desfaz muitos mitos construídos em torno da maternidade, pode ajudar a clarear essa decisão? Clarear nos sentidos de incentivar ou fazer desistir da maternidade/paternidade, não é mesmo?

M.V: Mais do que decidir ou não se vai ter filhos, acho que é possível que uma pessoa leia o que essas mães dizem e clareie, sim, o que considera prioritário na sua própria vida. Descobrir se ter filhos realmente faz parte das suas prioridades é a conseqüência de um olhar profundo para dentro de você mesmo. Acho que, aí sim, o que essas mães dizem provoca na gente esse olhar cheio de fundura. Mas esse não é um olhar de concha, fechado em si mesmo. O olhar que estas entrevistas me provocaram foi um olhar para os lados, um olhar arreganhado, disponível para outros.

As entrevistas têm muito em comum? é possível resumir as preocupações atuais de todas essas mães, suas esperanças, medos, alegrias com a maternidade? E o que é educar um filho do ponto de vista de todas elas?

M.V: O que as entrevistadas do livro mais têm em comum é o desejo de educar os filhos para que eles sejam boas pessoas e para que sejam felizes. Isso eu já esperava encontrar. O que eu não esperava era encontrar gente com tanto talento para pensar em educação e em pessoas, com tanta autoridade. Não há um ponto de vista de todas elas sobre o que é educar um filho. De fato, constatei o que eu já suspeitava: que a verdade não tem ponto final, tem pontos de vista. Isso foi uma das coisas que mais me encantaram nesse trabalho. Descobrir que as mães têm sentimentos e pensamentos em comum, sim, mas são apaixonadamente diferentes, não só em relação a elas mesmas, mas muitas vezes também em relação ao modo de lidar com um filho e outro.

Você é um pai presente. Seu filho, Gabriel, de seis anos, é assunto constante de suas conversas. E para você, o que é educar um filho?

M.V: Para mim, educar um filho é mostrar para ele, com gestos, a importância de ter reparo no olho. Educar é uma conseqüência de cuidar, como diz a Helena Borja, uma das entrevistadas do livro. Mas nós só cuidamos de quem amamos, e só cuidamos de nós mesmos também, se repararmos na fundura dos outros, na fundura de nós mesmos, na fundura do que quase ninguém repara, por falta de tempo, por falta de interesse. Outro dia, o Gabriel me puxou pelo braço e me perguntou: "Pai, vamos olhar a lua até gastar?". A lua estava empinada, toda exibida, naquela noite. Então, nós abrimos a janela e ficamos lá, abraçados, gastando o olho dentro da lua, gastando a lua dentro do olho, num silêncio que não cabia na sala. Ficamos ali, os dois, um bebendo o silêncio do outro, num silêncio que não gastava nunca. Ouço as pessoas falando hoje em dia que não importa a quantidade de tempo que os pais passam com o filho, mas sim a qualidade. Concordo que essa tal qualidade seja importante, sim. Mas a quantidade é essencial. às vezes, podemos chegar mais cedo em casa, vinte minutos que sejam, para ficar com os nossos filhos, mas na maioria das vezes não chegamos e, no final de semana, saímos para passeios espetaculares ou compras no shopping. Mas eu acho que espetacular, para os filhos, é poder ficar com os pais sem aquela ânsia desembestada de fazer, querer e pedir tudo ao mesmo tempo, no fundo, só para aproveitar a qualidade do pouco tempo que existe para ficar junto. Se eu me preocupasse só com a qualidade e não com a quantidade de tempo que passo com o meu filho, ele não perderia tempo me convidando para olhar a lua até gastar, na janela, e a gente não beberia tanto o silêncio um do outro, sem pressa, sem olhar no relógio. é claro que precisamos trabalhar muito, precisamos ganhar dinheiro, precisamos ficar longe dos filhos, porque faz parte da vida, e também para dar o melhor para eles. Mas o melhor para eles, muitas vezes, são dez minutos a mais com a gente.